sábado, 14 de março de 2015

Teóloga feminista Ivone Gebara afirma que tradição
masculina da Igreja ainda é muito forte.
Papa tem boa vontade, mas não pode revolucionar papel da mulher da igreja
Paulo Emanuel Lopes/ Adital
O movimento feminista teológico no mundo vem ganhando espaço a partir dos ventos reformadores impulsionados com as reformas do papado de Francisco. Para Ivone Gebara, teóloga, estudiosa e referência nacional em Teologia Feminista, não devemos, entretanto, esperar mudanças na estrutura masculina da Igreja Católica. "O Papa Francisco tem boa vontade (...) mas não tem condições de, vivendo dentro de uma tradição sagrada masculina, dar passos revolucionários para, de fato, promover a inovação necessária ao mundo de hoje”.
Ivone esclarece, inclusive, ser errôneo falar em ‘uma maior participação da mulher na Igreja’, como se as mulheres não estivessem entre aqueles que a constroem diariamente. "Não se trata, portanto, de reinserção das mulheres na Igreja, como se as mulheres tivessem que inserir-se num lugar que não é o seu. Dá até a impressão de que a Igreja é uma realidade fora de nós”.
Para além da discussão sobre feminicídio e outras formas de violência contra a mulher no Brasil, a estudiosa mostra que essa análise não deve ser superficial, mas chegar à raiz da questão. "[Os estados e as religiões] Não percebem que a reprodução da violência contra as mulheres está ainda muito presente nos processos educacionais (...) O que nós, pensadoras feministas, fazemos é alertar as pessoas para não estabelecerem modelos teóricos e idealistas e mostrá-los como metas absolutas a serem alcançadas. Isto não funciona”.