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| Agricultores e agricultoras são incentivados a fortalecerem ações de proteção das sementes do Semiárido. |
Programa Sementes do Semiárido fortalece autonomia das famílias agricultoras
Adital
Mais de 12 mil famílias agricultoras do Semiárido brasileiro participam do Programa Sementes do Semiárido, realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que irá estruturar 640 casas de sementes na região semiárida. O lançamento ocorreu esta semana, em Gravatá, Estado de Pernambuco.
O Programa Sementes do Semiárido partirá da experiência de agricultores e agricultoras com as sementes crioulas. O diálogo com as famílias do campo será uma oportunidade de construção do conhecimento, e de conhecer o patrimônio genético que está preservado no Semiárido. A partir da identificação, resgate e estocagem das sementes nativas, as famílias irão reestabelecer sua base genética, garantindo também a autonomia para decidir quando plantar, colher e comercializar.
O patrimônio das famílias está associado à identidade, a alimentação, mas também envolve um sentimento de preservação do que foi cuidado por gerações. Para o coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, Antonio Barbosa, será uma oportunidade para os centros de pesquisa e o governo introduzirem o debate sobre as sementes crioulas e de perceberem como estão associadas ao território. "É desafiador, pois estamos entrando no espaço da maior quantidade de sementes desse país”, afirma.
A agricultora Elisângela Ribeiro de Aquino, moradora do assentamento Tapera, no município Riacho dos Machados, norte do Estado de Minas Gerais, é uma das guardiãs de semente que luta diariamente em defesa da preservação das sementes crioulas, das nascentes dos rios e pelo reflorestamento de áreas desmatadas em virtude da plantação de eucaliptos na região. A agricultora guarda viva na memória a lembrança de seus pais conservando as sementes na palha. Hoje, ela conserva as sementes em garrafas pet e garante a preservação de várias espécies de milho, feijão, do maxixe, abóbora e arroz. "Esse projeto vem para fortalecer o que, hoje, está ameaçado pela transgenia e mudanças climáticas. A autonomia do agricultor está nas sementes, se perdemos ficamos refém do comércio e não encontramos sementes de qualidade”, conta.
O Programa identificará famílias e comunidades que atuam como guardiãs de sementes crioulas para que possam participar de processos de capacitação, além de promover diálogos com as famílias sobre o elemento da comercialização e da multiplicação. Para participar do Programa agricultores e agricultoras devem ter acesso à água de beber e de produzir alimentos. As famílias também precisam estar incluídas no CAD Único (cadastro de programas sociais do governo federal), ter o NIS (Número de Identificação Social) e o DAP (Declaração de Aptidão do Pronaf – Programa Nacional de Agricultura Familiar).
De acordo com Antonio Barbosa, o Programa Sementes do Semiárido é uma continuidade das ações da ASA. Esta vem consolidando uma proposta no campo da água de beber, com a implementação de mais de 800 mil cisternas; conseguiu avançar na perspectiva de água para produção, com mais de 85 mil tecnologias sociais. "A ASA assumiu pra si um compromisso de construir um programa de sementes no seu último EnconASA (Encontro Nacional da ASA), e vem discutindo com um conjunto de parceiros. O Programa aparece num momento importante em que se discute o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Ou seja, esse programa também está inserido na perspectiva da segurança e soberania alimentar, tem tudo a ver com essa caminhada e vem com força e peso. Esse programa vai valorizar dois espaços importantes para os agricultores: o espaço do quintal e do roçado”, avalia Barbosa. Teste de transgenia
No Semiárido, existem áreas de contaminação com a presença de sementes transgênicas ou melhoradas geneticamente, que sofrem mutações em laboratórios. A ideia do Programa é também poder identificar essas contaminações a partir de testes de transgenia em casas de sementes e estimular o debate junto às famílias agricultoras. O teste será usado em 24 territórios do Semiárido, avaliando uma média de 10 municípios por cada território. O alcance será de quase um quarto dos municípios da região semiárida. Com o resultado, será possível mapear os casos de contaminação e de áreas livres de transgênicos.
O patrimônio das famílias está associado à identidade, a alimentação, mas também envolve um sentimento de preservação do que foi cuidado por gerações. Para o coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, Antonio Barbosa, será uma oportunidade para os centros de pesquisa e o governo introduzirem o debate sobre as sementes crioulas e de perceberem como estão associadas ao território. "É desafiador, pois estamos entrando no espaço da maior quantidade de sementes desse país”, afirma.
A agricultora Elisângela Ribeiro de Aquino, moradora do assentamento Tapera, no município Riacho dos Machados, norte do Estado de Minas Gerais, é uma das guardiãs de semente que luta diariamente em defesa da preservação das sementes crioulas, das nascentes dos rios e pelo reflorestamento de áreas desmatadas em virtude da plantação de eucaliptos na região. A agricultora guarda viva na memória a lembrança de seus pais conservando as sementes na palha. Hoje, ela conserva as sementes em garrafas pet e garante a preservação de várias espécies de milho, feijão, do maxixe, abóbora e arroz. "Esse projeto vem para fortalecer o que, hoje, está ameaçado pela transgenia e mudanças climáticas. A autonomia do agricultor está nas sementes, se perdemos ficamos refém do comércio e não encontramos sementes de qualidade”, conta.
O Programa identificará famílias e comunidades que atuam como guardiãs de sementes crioulas para que possam participar de processos de capacitação, além de promover diálogos com as famílias sobre o elemento da comercialização e da multiplicação. Para participar do Programa agricultores e agricultoras devem ter acesso à água de beber e de produzir alimentos. As famílias também precisam estar incluídas no CAD Único (cadastro de programas sociais do governo federal), ter o NIS (Número de Identificação Social) e o DAP (Declaração de Aptidão do Pronaf – Programa Nacional de Agricultura Familiar).
De acordo com Antonio Barbosa, o Programa Sementes do Semiárido é uma continuidade das ações da ASA. Esta vem consolidando uma proposta no campo da água de beber, com a implementação de mais de 800 mil cisternas; conseguiu avançar na perspectiva de água para produção, com mais de 85 mil tecnologias sociais. "A ASA assumiu pra si um compromisso de construir um programa de sementes no seu último EnconASA (Encontro Nacional da ASA), e vem discutindo com um conjunto de parceiros. O Programa aparece num momento importante em que se discute o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Ou seja, esse programa também está inserido na perspectiva da segurança e soberania alimentar, tem tudo a ver com essa caminhada e vem com força e peso. Esse programa vai valorizar dois espaços importantes para os agricultores: o espaço do quintal e do roçado”, avalia Barbosa. Teste de transgenia
No Semiárido, existem áreas de contaminação com a presença de sementes transgênicas ou melhoradas geneticamente, que sofrem mutações em laboratórios. A ideia do Programa é também poder identificar essas contaminações a partir de testes de transgenia em casas de sementes e estimular o debate junto às famílias agricultoras. O teste será usado em 24 territórios do Semiárido, avaliando uma média de 10 municípios por cada território. O alcance será de quase um quarto dos municípios da região semiárida. Com o resultado, será possível mapear os casos de contaminação e de áreas livres de transgênicos.
