quarta-feira, 11 de março de 2015

Direito à terra

Jornadas de luta levam milhares de pessoas às ruas em março
Por Maura Silva/MST
O mês de março está sendo marcado por dezenas de mobilizações em todo país, pela Reforma Agrária, por direitos dos trabalhados, pela reforma política e pelo fim da violência contra a mulher.
 
O calendário de luta do Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST) começou com a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, entre os dias 04 a 09 de março, que, até o momento, reuniu mais de 20 mil mulheres dos movimentos sociais da Via Campesina em 21 estados brasileiros. Na sequência, os movimentos sociais do campo já emendaram as lutas com a Jornada Unitária do Campo, que acontece entre os dias 10 a 13 março, com ações em todo país, denunciando o modelo do agronegócio e pela Reforma Agrária Popular, paralisada nos últimos anos. Marchas, ocupações de terra e prédios públicos e trancamento de rodovias são alguma das ações utilizadas pelos trabalhadores rurais para denunciarem o modelo do agronegócio no campo brasileiro e apresentarem a agroecologia como alternativa ao capital estrangeiro na agricultura. Para Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, a Jornada Unitária de Lutas do Campo é o momento de mostrar à sociedade que a Reforma Agrária Popular pode contribuir, efetivamente, para resolver problemas estruturais de toda a sociedade. "O mês de março abriu o calendário organizativo de lutas do Movimento. Começamos com jornada das mulheres, e seguimos, a partir do dia 10, com a Jornada Unitária de Lutas do Campo. Este ano, também teremos o apoio de movimentos urbanos, além de sindicatos e parceiros que se mobilizarão pelos direitos dos trabalhadores e pela reforma política”, diz.
Segundo Débora, a Jornada se insere como ferramenta combativa diante da atual conjuntura política e social do campo brasileiro. "O campo vive um momento delicado, com a estagnação da Reforma Agrária, a indicação de uma pessoa que, historicamente, afronta os interesses dos camponeses (a ministra da Agricultura, Kátia Abreu) e o aporte do governo federal, que, só no ano passado, destinou R$ 130 bilhões ao setor do agronegócio. O latifúndio segue na concentração de terras, no avanço de territórios indígenas e quilombolas. Ações como essas mostram que o campo segue vivo na luta pela Reforma Agrária e pela garantia de Direitos”, afirma. De acordo com a Sem Terra. as reformas, como a agrária, a política e a da comunicação são as mudanças estruturais necessárias para que o povo tenha representatividade política e institucional. "Isso ficou ainda mais claro depois das últimas eleições, que colocaram o Congresso Nacional nas mãos das bancadas mais conservadora desde 1964. Por isso, dependemos da compreensão da classe trabalhadora em torno da unidade de um projeto popular para o Brasil, em torno daquilo que pode avançar para que as transformações sociais que o povo precisa sejam feitas”, disse. Segundo ela, a Jornada está inclusa nesse processo, e "a discussão de temas como a reforma política e o Plebiscito Popular pela Constituinte, por exemplo, faz com que as bandeiras levantadas pelo Movimento sejam apresentadas a toda sociedade como mote de luta popular e unitária”, observa.
Dia 13
Nesta sexta-feira, 13, os movimentos sociais do campo e da cidade sairão às ruas de todo país em defesa dos direitos da classe trabalhadora, da Petrobrás e da Reforma Política.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do estado de São Paulo (CUT-SP), Adi dos Santos, os trabalhadores não podem sofrer as consequências das atuais medidas fiscais adotadas pelo governo federal, com o objetivo de manter mascarado o atual momento da economia. "Estamos sendo atacados pela direita brasileira desde o resultado das últimas eleições, precisamos e vamos nos defender. Lutaremos para que a Petrobrás, patrimônio do povo brasileiro, não seja desconstruída por vontade de especuladores internacionais. Para isso, sairemos às ruas em defesa da democracia, pelos direitos dos trabalhadores e pela reforma política.”, afirma.
Além da defesa da Petrobrás, empresa que corresponde a 13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e o fim das Medidas Provisórias (MP´s) 664 e 665, que alteram direitos da classe trabalhadora, o ato também defenda o Plebiscito Constituinte, que se apresenta como alternativa para reforma do sistema político brasileiro. Atualmente, existe no Congresso Nacional uma manobra para que seja aprovada a reforma política pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/2013, considerada pelos movimentos como uma contra reforma política, porque defende temas polêmicos, como o financiamento privado de campanha eleitoral. O ato será no dia 13 de março, em todo o Brasil. Em São Paulo, a concentração será em frente ao prédio da Petrobrás, às 15h, na Avenida Paulista, onde esperam mais de 30 mil pessoas.